A Deltaexpresso
Café Deixa Marcas
Café deixa marcas. E todos sabemos o porquê. O momento para um bom café não é trivial. É uma interrupção no caos, na velocidade, no estresse, no que a vida cosmopolita nos impõe.
Se somarmos as horas de trânsito, os dias de reuniões, os meses de e- mails, mensagens e telefonemas trocados, pouco nos sobra. E eis que entra em cena o café. Um senhor respeitável que atravessou as fronteiras do tempo para, justamente, fazer-nos segurar os ponteiros do relógio. O café nos faz brincar de deus. Nos deixa as rédeas das horas nas mãos. Porque o momento do café é, sempre foi e sempre será, sagrado. No altar, o imponente balcão, as xícaras esperam acesas e fumegantes a hora certa de dar início ao culto. Lá vai o Delta, sendo transportado, de bandeja, para a mesa do canto. Onde alguém o espera, contando os Segundos. E ao chegar, os segundos, minutos e horas já não fazem mais sentido. O caos, a velocidade e o estresse perdem valor. Os e-mails ficam para depois. Observe as senhoras que, no fim da tarde, reúnem-se em torno de uma mesa. Os cabelos brancos não mentem: elas conhecem o assunto.
E por isso ficam, se quedam, conversam, sorriem. Devem ter se preocupado demais com ele. Mas agora não. Querem mais é perder tempo. E o Delta, companheiro inseparável, escuta tudo enquanto consegue, pois nem chega a esfriar. E dá lugar a mais um. E outro. E vários Deltas acompanham as senhoras do tempo. Do lado oposto, o casal se beija lentamente. Eles têm tempo que aproveitem. E pedem mais um. Assim como a menina no computador, várias janelas abertas, tantos horizontes para os pensamentos, enquanto estuda. O Delta também é o seu fiel escudeiro. E assim o tempo passa – e o café o desrespeita. Não importa se é um espresso ou um capuccino, ele simplesmente ignora esse tal tempo. Porque o café não nasceu ontem. Sabe das coisas. Sabe que deixa marcas na vida das pessoas. Porque elas contam com ele para isso: para terem os seus próprios tempos. E fazerem dele o que bem entenderem. Os ponteiros que parem. Pois o momento do Delta, caro tempo, é sagrado.